quarta-feira, novembro 23, 2005

Anjos Rebeldes

Anjos Rebeldes (God`s Army; The Prophecy, 1995)
Lançado em 1995, é a estréia de Gregory Widen, um dos criadores de “Highlander”, na direção, sendo que também escreveu o roteiro.Corajoso, o diretor/escritor aborda o assunto dos anjos com um enfoque bem mais pesado e realista do que normalmente é praticado em Hollywood, onde quase sempre os seres mitológicos são retratados como bonzinhos e sem nenhuma malícia (uma das poucas exceções no cinemão são os filmes `Michael`, com John Travolta e `Dogma` de Kevin Smith). Antecipando uma tendência que se cristalizou nos quadrinhos do escritor irlandês Garth Ennis (roteirista de, entre outros, `John Constantine Hellblazer` e criador do amoral `Preacher`), Widen traz o conceito dos anjos como uma milícia de Deus, os quais fazem o trabalho sujo junto aos homens e contra os exércitos de Satanás, sem pudores de matar e agir com requintes de crueldade e impiedade, em nome Dele.
A história começa com a apresentação de Thomas Daggett (Elias Koteas, ator de forte presença no cinema de arte e independente, com os diretores David Cronenberg e Atom Egoyan), estudante seminarista que no dia da ordenação como padre recebe visões aterradoras de anjos empalados e caídos, abalando sua fé e causando sua saída do sacerdócio. Anos depois, já policial, ele recebe um chamado e encontra um corpo muito estranho, hermafrodita e sem olhos. Nos pertences do falecido, uma Bíblia antiga é encontrada, com um capítulo extra no Apocalipse de São João dizendo que houve uma cisão entre os anjos e uma guerra que já dura milênios, fechando o Céu para os humanos.
Essa guerra é entre as facções de Gabriel (Christopher Walken) e Simão (Eric Stoltz), o primeiro contrário à entrada dos humanos no Paraíso e o segundo favorável à decisão de Deus de nos conceder uma alma e permitir nosso acesso. Na Bíblia antiga, Thomas descobre que a arma definitiva para resolver o impasse entre as facções angelicais é uma `alma negra` humana, que lideraria outras e seria o fiel da balança para Gabriel e seus aliados. Essa alma é a do Coronel Hawthorne (Jeffrey Tambor), um criminoso de guerra que praticou sacrifícios humanos e canibalismo. Simão consegue capturar a alma do coronel e, ferido pelo anjo Uziel (interpretado por Jeff Cadiente e o corpo esquisito encontrado por Thomas) e perseguido por Gabriel, esconde a alma no corpo da menina Mary (Moriah Shining Dove Snyder) antes que seja encontrado.Thomas, por um recorte de jornal, percebe que a alma negra da Bíblia é a do coronel e vai até a cidade de Mary para tentar entender o que está acontecendo, recebendo a ajuda da professora Katherine (Virginia Madsen).
Só que Gabriel também sabe de quem é a alma de que precisa para vencer a guerra e segue em perseguição da menina e de seus protetores, que contam com a relutante participação do próprio Lúcifer (Viggo Mortensen), que os ajudará a tentar derrotar Gabriel, mesmo que por sua própria motivação.
O grande destaque do filme é a atuação de Christopher Walken como Gabriel, onde ele mostra toda sua verve para construir personagens canalhas, contando com a valiosa ajuda do roteiro para diálogos espirituosos e ácidos, além de uma piadinha bem legal com um instrumento musical. Porém, para mim, o melhor do elenco é Viggo Mortensen, responsável por trazer uma das mais inspiradas caracterizações do Diabo de todos os tempos, com muita ironia e cinismo, pena que ele só aparece depois de mais de uma hora de filme... Com muitas boas idéias e clima sóbrio, o filme é uma grata surpresa para os fãs de cinema fantástico e não cai na tentação de pirotecnias e baldes de sangue para assustar o espectador, vício que afeta 8 entre 10 filmes do gênero. Altamente recomendável.
Gerou duas seqüências, que serão comentadas posteriormente.

Elenco: Christopher Walken (Gabriel), Elias Koteas (Thomas Doggett), Virginia Madsen (Katherine Henley), Eric Stoltz (Simão), Viggo Mortensen (Lucifer), Amanda Plummer (Rachael), Adam Goldberg (Jerry), Moriah Shining Dove Snyder (Mary), Steve Hytner (Joseph), Jeff Cadiente (Uziel), Jeffrey Tambor (Coronel Hawthorne).
Diretor: Gregory Widen; Roteiro: Gregory Widen; Produção: Joel Soisson e Raquel Caballes Maxwell; Produção Executiva: W.K. Border e Don Phillips; Trilha Sonora: Sebastian Bach, Peter Frega, Dennis Michael Tenney e David C. Williams; Direção de Fotografia: Richard Clabaugh e Bruce Douglas Johnson; Edição: Sonny Baskin; Elenco: Don Phillips; Design de Produção: Clark Hunter; Direção de Arte: Michele Spadaro; Figurino: Dana Allysson; Maquiagem: Martha Cecilia, Dave Snyder, Scott Patton e R. Stephen Weber; Som: David Weisberg e Darren Paskal; Efeitos Visuais: Phillip Weiss e Dave Gregory; Efeitos Especiais: Jor Van Kline; Arte Conceitual: Martin Zboril.

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